Eu estava alí, transitando entre um CD do Marcelo Camelo e um DVD do Raimundos.
Um breve estalo veio a minha cabeça, o qual me fez perceber que estava sendo alvo de um olhar úmido e simpático. Era ele e, … , e eu não tive reação. Fiquei alí, sem forças pra me pronunciar. Meu Deus, foram dois anos sem uma misera palavra, dois anos recordando-o nas noites frias, nas canecas de chocolate quente, na brisa simpática que passava por mim na rua e, então, ele estava alí, na minha frente. Fiquei trêmula e calma; tive vontade de gritar aos sete ventos e ficar em silêncio; quis abraça-lo, olha-lo, segura-lo perto de mim e ter certeza de que não me deixaria nunca mais; fiquei sem paradeiro e imóvel. Olha só pra ele, não mudou nada mas, está tão diferente. Onde estão aqueles olhos que vi pela ultima vez ao atravessar o portão de embarque? Aqueles que me diziam ‘Eu te amo, muito!’? Aqueles que me faziam vibrar sem muito esforço? Aqueles que eram meus, e de mais ninguém? E o que faziam aquelas mãos que não estavam a segurar as minhas? Por que eu ainda não estava sendo abraçada, ouvindo ao pé do ouvido suas reclamações por quase ter morrido de saudades?
Então, seus olhos mudaram de foco, o que o fez sorrir. Aham, lá estavam os meus olhos sendo entregues a outra pessoa. Não eram minhas as mãos que segurava, nem era eu quem estava sendo abraçada.
- E aí? Quanto tempo? Como é que você esta? Não sabia que tinha voltado. Bom, nos falamos, fique bem! Ah, a proposito, você voltou ainda mais linda, haha.
Isso foi o que sobrou pra mim enquanto o via me deixar alí, sozinha, e ir embora, sem olhar para trás, sem sorrir pra mim, sem dizer “Vem amor!”, sem falar nada! O pior? Levou consigo meu amor, meu coração.
Fiquei parada no mesmo lugar. Não tive forças pra sair. Me veio a impressão do teto desmoronando sobre minha cabeça. Olhei para baixo e não encontrei o chão. Olhei para mim mesma e não encontrei nada, mais nada.
” Você vai me desculpar porque não me acostumei e, nem espero me acostumar, a desistir de alguém quando existe amor. ” (33 dias – Alexandre Nickel)
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