sobre um dia que ainda não aconteceu.
Publicado; 07/2011 Filed under: Uncategorized Leave a comment »Chovia a varias horas e, da janela do ônibus ela sentiu escorrer a calma daqueles campos à beira da estrada, mesmo com toda a água que lá se encontrava. Num instante, um calafrio e uma leve sensação de desconforto lhe tomaram o corpo. Não conseguia entender o que era e nem mesmo o motivo, só sentia. Aquilo passou depois de três ou quatro minutos que pareciam ter durado cinco horas. Como um sopro de vento, que entra pelas frestas das janelas dos demais passageiros, lhe veio a realidade dos fatos: muita coisa mudaria a partir dali. Talvez, ao terminar aquela viagem, não fosse mais a mesma que a começou; essa pequena travessia poderia dar a sensação de ter durado dias e dias de muito vento; e quem sabe este vento tenha levado embora alguns desejos que não faziam mais sentido, apagado dores de amores que não mais viviam, desbotado a cor de sentimento que, na verdade, nunca existiram. A partir daquela angústia, disfarçada de reflexão, fechou os olhos e dormiu. Esqueceu dos seus quase 19 anos e de tudo que havia deixado para trás. Permitiu descansar em seu peito um coração inquieto, porém, silencioso; deixou quietos os sonhos de menina que atormentavam suas ideias; calou, sem pensar mais de uma vez, sua revolta com o mundo, com o seu (e de mais ninguém) mundo.
