Aquilo que é (quase) meu.

           

Sabe, nem todos os dias têm sido de sol, mas até quando ele não aparece o tempo vem sendo bacana. Não sei se por me fazer notar a beleza da chuva, ou por me fazer curtir o diferente. As coisas, apesar de sem pressa, estão se encaminhando mais e mais, e com isso uma tranquilidade simpática tem me feito companhia, quase sempre. Não vou dizer que desisti de lutar, mas notei o quanto isso pode ser menos desgastante se feito com calma e carinho, como que conquistando aos poucos o que já é quase meu. Não vou dizer, também, que não tenho chorado; afinal, é meio involuntário. As vezes vem, do nada, como essas palavras que aqui estão sendo escritas. Tenho mudado a cada dia. Ando apreciando coisas que sempre julguei inúteis, sentindo falta do que nunca tive e enjoado daquilo que sempre quis ter.
Confesso que não sei o que vai ser dos próximos dias e, sinceramente, não vou pensar nisso. Só quero poder sentir um sopro alegre me tocando, pouco a pouco, e dizer que já não dói mais, que estou pronta para o que vier (mesmo sem estar certa disso).
Talvez eu esteja amadurecendo. Talvez a “vida” esteja me dando a chance de aproveitá-la e eu esteja abraçando-a com vontade.

3h23min am

A: Alô?
B: Oi.
A: Ah, enfim atendeste o telefone.
B: É, ao que tudo indica, sim.
A: É. Como estas?
B: Do mesmo jeito.
A: E, por onde tens andado?
B: Pelos mesmos lugares.
A: E … com quem?
B: Sozinha. As vezes, com as mesmas pessoas.
A: Hum. O que tens feito?
B: O mesmo de sempre ou nada.
A: Hum.
B: Bom, era isso?
A: É, na verdade liguei pra dizer que …
B: Olha, tenho que desligar. Tchau.
___
A: Tá bom! Só queria dizer que sinto saudade, mais nada.

perdi o olhar;

Eu estava alí, transitando entre um CD do Marcelo Camelo e um DVD do Raimundos.

Um breve estalo veio a minha cabeça, o qual me fez perceber que estava sendo alvo de um olhar úmido e simpático. Era ele e, … , e eu não tive reação. Fiquei alí, sem forças pra me pronunciar. Meu Deus, foram dois anos sem uma misera palavra, dois anos recordando-o nas noites frias, nas canecas de chocolate quente, na brisa simpática que passava por mim na rua e, então, ele estava alí, na minha frente. Fiquei trêmula e calma; tive vontade de gritar aos sete ventos e ficar em silêncio; quis abraça-lo, olha-lo, segura-lo perto de mim e ter certeza de que não me deixaria nunca mais; fiquei sem paradeiro e imóvel. Olha só pra ele, não mudou nada mas, está tão diferente. Onde estão aqueles olhos que vi pela ultima vez ao atravessar o portão de embarque? Aqueles que me diziam ‘Eu te amo, muito!’? Aqueles que me faziam vibrar sem muito esforço? Aqueles que eram meus, e de mais ninguém? E o que faziam aquelas mãos que não estavam a segurar as minhas? Por que eu ainda não estava sendo abraçada, ouvindo ao pé do ouvido suas reclamações por quase ter morrido de saudades?

Então, seus olhos mudaram de foco, o que o fez sorrir. Aham, lá estavam os meus olhos sendo entregues a outra pessoa. Não eram minhas as mãos que segurava, nem era eu quem estava sendo abraçada.

-  E aí? Quanto tempo? Como é que você esta? Não sabia que tinha voltado. Bom, nos falamos, fique bem! Ah, a proposito, você voltou ainda mais linda, haha.

Isso foi o que sobrou pra mim enquanto o via me deixar alí, sozinha, e ir embora, sem olhar para trás, sem sorrir pra mim, sem dizer “Vem amor!”, sem falar nada! O pior? Levou consigo meu amor, meu coração.

Fiquei parada no mesmo lugar. Não tive forças pra sair. Me veio a impressão do teto desmoronando sobre minha cabeça. Olhei para baixo e não encontrei o chão. Olhei para mim mesma e não encontrei nada, mais nada.

” Você vai me desculpar porque não me acostumei e, nem espero me acostumar, a desistir de alguém quando existe amor. ” (33 dias – Alexandre Nickel)

sobre um dia que ainda não aconteceu.

Chovia a varias horas e, da janela do ônibus ela sentiu escorrer a calma daqueles campos à beira da estrada, mesmo com toda a água que lá se encontrava. Num instante, um calafrio e uma leve sensação de desconforto lhe tomaram o corpo. Não conseguia entender o que era e nem mesmo o motivo, só sentia. Aquilo passou depois de três ou quatro minutos que pareciam ter durado cinco horas. Como um sopro de vento, que entra pelas frestas das janelas dos demais passageiros, lhe veio a realidade dos fatos: muita coisa  mudaria a partir dali. Talvez, ao terminar aquela viagem, não fosse mais a mesma que a começou; essa pequena travessia poderia dar a sensação de ter durado dias e dias de muito vento; e quem sabe este vento tenha levado embora alguns desejos que não faziam mais sentido, apagado dores de amores que não mais viviam, desbotado a cor de sentimento que, na verdade, nunca existiram.  A partir daquela angústia, disfarçada de reflexão, fechou os olhos e dormiu. Esqueceu dos seus quase 19 anos e de tudo que havia deixado para trás. Permitiu descansar em seu peito um coração inquieto, porém, silencioso; deixou quietos os sonhos de menina que atormentavam suas ideias; calou, sem pensar mais de uma vez, sua revolta com o mundo, com o seu (e de mais ninguém) mundo.

pré dia dos

- Anoiteceu. Sinto um frio danado e tenho a impressão de que nada vai cessá-lo. Bebo mais um gole de vinho e percebo, de cara, qual será o fim desta noite. Por horas procurei o teu sorriso, o verde dos teus olhos, a tua história mas, nada me veio. Fiquei lembrando de tudo que não aconteceu. Fiquei me arrependendo de tudo que deixei de fazer.
Eu só tinha um sofá. Uma garrafa verde. A dor da vontade. O barulho agonizante da chuva, dissolvendo tudo.
De repente, senti o cheiro do teu abraço, o calor da tua voz e o gosto de segurar tuas mãos.

Então, acordei.



							

Hoje acordei e senti falta de mim. Olhei para os lados e perguntei onde eu havia parado. Tudo estava nublado e meus olhos não decifravam o que estava ao redor da cama, por entre as paredes. Corri para o espelho e a ele pedi ajuda – para a esquerda, siga em frente, corra, e … – ah, ele também não sabia. Voltei para o quarto um tanto entristecida. Sentei no canto, recostei-me na parede e um punhado de lágrimas caiu dos meus sonhos. Senti falta de não ter o que esperar, pelo que lutar. Senti falta de não sentir medo e de segurar a mão de outro alguém. Até eu tinha entregue os pontos, até eu tinha me abandonado. Me vi sozinha, como nunca. Tive vontade de gritar aos ventos, dizer o que estava acontecendo, perguntar a ele o porque destas coisas, o porque de várias outras coisas mas, e o medo que não houvessem respostas ? Eu tive medo, medo … medo.

Não sei mais o que escrever!

Aurora –

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entra,

senta. fica à vontade!
chá ou café?
-
mas, será que chove?

t.


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